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TAN vs TAEG: qual a diferença

Por Duarte Ferreira
Revisto e atualizado em · 11 min de leitura

Em resumo

  • A TAN (Taxa Anual Nominal) representa apenas o custo dos juros do empréstimo, expresso em percentagem anual, aplicada mensalmente ao capital em dívida.
  • A TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) representa o custo total do crédito, incluindo juros, comissões, impostos e seguros exigidos, expressa em percentagem anual do montante total do crédito.
  • O MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor) é o valor em euros que resume todos os custos do crédito ao longo do contrato, complementando a informação percentual da TAEG.
  • A TAEG é o indicador mais adequado para comparar propostas de crédito de montante e duração semelhantes, porque reflete o custo total e não apenas a componente de juro.

Ao pedir um crédito, seja um crédito pessoal, um crédito habitação ou um financiamento automóvel, é comum surgirem duas siglas que, apesar de parecidas, representam coisas diferentes: TAN e TAEG. Confundir estes dois indicadores pode levar a comparar propostas de crédito de forma incorreta, uma vez que a TAN, isoladamente, não reflete o custo total que o consumidor vai efetivamente suportar.

Este guia explica, de forma simples, o que significa cada uma destas taxas, como se relacionam com o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC), e porque é que, ao comparar propostas de crédito, a TAEG é o indicador mais indicado, desde que se compare crédito com montantes e prazos equivalentes. Inclui também um exemplo numérico simples, com valores fictícios, para ilustrar como funciona o cálculo do juro mensal a partir da TAN.

O que é a TAN (Taxa Anual Nominal)

A Taxa Anual Nominal, ou TAN, representa o custo associado aos juros do empréstimo, expresso em percentagem anual sobre o capital em dívida. É a taxa de juro propriamente dita, usada como base para calcular o valor dos juros que o consumidor paga em cada prestação.

Como a TAN é uma taxa anual, mas as prestações de crédito são normalmente mensais, o cálculo do juro de cada mês costuma ser feito dividindo a TAN por doze, para obter uma taxa de juro mensal aproximada a aplicar ao capital em dívida nesse período. Esta é uma forma simples de perceber, mês a mês, qual é o peso do juro na prestação, embora o cálculo exato de um plano de amortização possa envolver outros refinamentos técnicos.

É importante reter que a TAN, isoladamente, não inclui outros custos associados ao crédito, como comissões, seguros obrigatórios ou impostos. Por isso, duas propostas de crédito com a mesma TAN podem ter custos totais bastante diferentes, consoante os encargos adicionais que cada instituição cobra.

O que é a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global)

A Taxa Anual de Encargos Efetiva Global, ou TAEG, representa o custo total do crédito, incluindo a TAN e outros encargos cobrados pela instituição de crédito, expressa em percentagem anual do montante total do crédito. Ao contrário da TAN, a TAEG procura refletir, num único número, o impacto de todos os custos relevantes do contrato de crédito.

No cálculo da TAEG são incluídos, entre outros elementos, os juros, as comissões, os impostos, os seguros exigidos para a obtenção do crédito, a comissão de manutenção de conta à ordem quando a sua abertura seja obrigatória para a gestão do empréstimo, os custos com operações de pagamento e de utilização do crédito, caso existam, e a remuneração do intermediário de crédito, quando essa remuneração for paga pelo consumidor.

Por incluir este conjunto mais alargado de custos, a TAEG é normalmente mais elevada do que a TAN do mesmo contrato, e é o indicador que melhor traduz o custo efetivo do crédito para quem o contrata.

TAN vs TAEG vs MTIC

IndicadorO que incluiUnidade
TANApenas juros do empréstimo% ao ano
TAEGJuros + comissões + impostos + seguros exigidos + outros encargos conhecidos% ao ano
MTICSoma de todos os pagamentos (capital, juros e encargos) ao longo do contratoEuros (valor absoluto)

O que é o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor)

Além da TAN e da TAEG, a informação pré-contratual de um crédito inclui também o Montante Total Imputado ao Consumidor, conhecido pela sigla MTIC. Ao contrário da TAN e da TAEG, que são percentagens, o MTIC é um valor expresso em euros, correspondente à soma de todos os pagamentos que o consumidor terá de efetuar ao longo da vida do contrato, incluindo capital, juros e outros encargos.

O MTIC é útil porque traduz, em valor absoluto, o impacto financeiro total do crédito, complementando a leitura percentual da TAEG. Enquanto a TAEG permite comparar taxas entre diferentes propostas, o MTIC ajuda a visualizar o montante concreto, em euros, que vai efetivamente sair do orçamento do consumidor ao longo de todo o contrato.

Ao analisar uma proposta de crédito, faz sentido olhar para os três indicadores em conjunto: a TAN para perceber o custo do juro, a TAEG para perceber o custo total em termos percentuais, e o MTIC para perceber o custo total em euros.

Diferença entre crédito ao consumo (FIN) e crédito à habitação (FINE)

Nas fichas de informação normalizada pré-contratual utilizadas no crédito aos consumidores, distingue-se habitualmente a Ficha de Informação Normalizada (FIN), usada em contratos de crédito ao consumo, da Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), usada em contratos de crédito à habitação e outros créditos com garantia hipotecária. Ambas seguem uma lógica semelhante de apresentação de TAN, TAEG e MTIC, para que o consumidor possa comparar propostas de forma organizada.

Ainda que as fórmulas de cálculo subjacentes à TAEG envolvam particularidades técnicas próprias de cada tipo de crédito, o princípio geral mantém-se: a TAEG deve englobar todos os custos obrigatórios conhecidos associados ao crédito, para refletir o seu custo total, e não apenas a componente de juro representada pela TAN.

Em qualquer dos casos, a instituição de crédito tem o dever de disponibilizar esta informação ao consumidor antes da celebração do contrato, para que a decisão seja tomada com conhecimento efetivo dos custos envolvidos.

Como comparar corretamente propostas de crédito

Para comparar propostas de crédito de forma correta, a TAEG é, em regra, o indicador mais adequado, por refletir o custo total do crédito e não apenas o custo do juro. No entanto, esta comparação só é verdadeiramente útil quando feita entre propostas com montante de crédito e duração equivalentes, porque a TAEG pode variar consoante o montante e o prazo do contrato, mesmo dentro da mesma instituição.

Comparar apenas a TAN de duas propostas pode induzir em erro, uma vez que uma proposta com TAN mais baixa pode ter comissões ou seguros associados que elevem significativamente a TAEG e o MTIC, tornando-a, na prática, mais cara do que uma proposta com TAN ligeiramente mais alta mas sem encargos adicionais relevantes.

Por isso, ao comparar propostas de diferentes instituições, faz sentido pedir sempre a ficha de informação normalizada correspondente, para um montante e prazo iguais, e analisar em conjunto a TAN, a TAEG e o MTIC, em vez de decidir apenas com base num único destes indicadores.

Exemplo numérico simples (caso fictício)

Para ilustrar como funciona o cálculo do juro a partir da TAN, considere-se um exemplo fictício, apenas com fins pedagógicos. Suponha-se um crédito pessoal fictício de 10.000 euros, com uma TAN fictícia de 8% ao ano.

Para estimar o juro do primeiro mês, de forma simples, divide-se a TAN anual por doze meses, obtendo uma taxa mensal aproximada de 0,6667%. Aplicando essa taxa ao capital inicial de 10.000 euros, o juro estimado do primeiro mês seria de 10.000 × 0,08 ÷ 12 = 66,67 euros.

Este valor de 66,67 euros corresponde apenas à componente de juro do primeiro mês, calculada de forma simples a partir da TAN, e não inclui outros encargos, como comissões ou seguros, que poderiam estar associados ao contrato. Por essa razão, este exemplo não permite calcular a TAEG do crédito, que dependeria do conjunto de todos os custos obrigatórios concretos do contrato, informação que não está aqui especificada. O objetivo deste exemplo é apenas ilustrar, de forma simples, a lógica do cálculo do juro mensal a partir da TAN, e não substituir uma simulação real fornecida pela instituição de crédito.

O que a TAEG não prevê e como ler o custo variável

A TAEG é calculada segundo pressupostos legais e encargos relevantes conhecidos. Não prevê o incumprimento nem transforma uma taxa variável numa taxa fixa. Custos decorrentes de atraso e algumas despesas fora do âmbito do cálculo não devem ser confundidos com o custo normal previsto. Pede que o banco identifique o que está incluído e o que ficou fora em cada ficha.

Num crédito variável, a TAN pode resultar de um indexante, como a Euribor, e de um spread. Uma alteração do indexante pode alterar prestações futuras; um valor de MTIC apresentado com as condições atuais não é uma previsão garantida das taxas de todos os anos. Lê a periodicidade de revisão e cenários disponibilizados, em vez de comparar só a prestação do primeiro mês.

Seguro obrigatório e contratação de um produto específico são questões diferentes. Confirma quais são as coberturas exigidas, se podes escolher outro prestador e como a alteração afeta as condições do crédito. Uma bonificação inicial pode depender de manter serviços com custos próprios. Soma esses custos ao orçamento e pede esclarecimento escrito sobre o que acontece se deixares de cumprir a condição.

Caso prático (exemplo fictício)

Imagine-se o caso fictício de Marta, que está a comparar duas propostas de crédito pessoal fictícias para o mesmo montante de 10.000 euros e o mesmo prazo de 48 meses. A proposta A tem uma TAN fictícia de 8% ao ano, sem comissões relevantes associadas. A proposta B tem uma TAN fictícia ligeiramente mais baixa, de 7,5% ao ano, mas inclui uma comissão de processamento e um seguro associado obrigatório para a obtenção do crédito.

A Marta não conclui que a proposta B é mais cara só porque tem comissões: pede a FIN de ambas para o mesmo montante e prazo. Confirma os custos exigidos, a TAEG e o MTIC documentados, incluindo condições dos seguros. Sem os valores desses encargos, não há base para calcular uma TAEG nem afirmar qual das propostas ganha.

Se a FIN mostrar um MTIC e uma TAEG mais altos em B, nas mesmas condições de comparação, Marta tem uma base para perceber o custo adicional. Se não mostrar, pode acontecer o contrário. O exercício ensina a confirmar a documentação, não inventa uma taxa nem declara uma proposta vencedora sem os custos. Além do preço, Marta compara flexibilidade e riscos do contrato.

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Perguntas frequentes

A TAN e a TAEG são a mesma coisa?

Não. A TAN representa apenas o custo dos juros do empréstimo, enquanto a TAEG representa o custo total do crédito, incluindo juros, comissões, impostos e seguros exigidos para a obtenção do crédito.

Porque é que a TAEG costuma ser mais alta do que a TAN?

Porque a TAEG inclui, além dos juros refletidos na TAN, outros encargos obrigatórios conhecidos associados ao contrato, como comissões e seguros exigidos, o que normalmente eleva o valor percentual face à TAN isolada.

O que é o MTIC?

O MTIC, ou Montante Total Imputado ao Consumidor, é o valor em euros correspondente à soma de todos os pagamentos a efetuar ao longo do contrato de crédito, incluindo capital, juros e outros encargos.

Qual o indicador mais importante para comparar propostas de crédito?

Em geral, a TAEG é o indicador mais adequado para comparar propostas, por refletir o custo total do crédito, desde que a comparação seja feita entre propostas com montante e duração equivalentes.

Como se calcula, de forma simples, o juro mensal a partir da TAN?

De forma simples, divide-se a TAN anual por doze para obter uma taxa mensal aproximada, que depois se aplica ao capital em dívida nesse mês para estimar o valor do juro correspondente.

A ficha de informação normalizada é igual para crédito ao consumo e crédito à habitação?

Existem fichas distintas: a Ficha de Informação Normalizada (FIN) para crédito ao consumo e a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE) para crédito à habitação, ambas destinadas a apresentar de forma organizada a TAN, a TAEG e o MTIC.

Uma TAN mais baixa significa sempre um crédito mais barato?

Não necessariamente. Uma TAN mais baixa pode estar associada a comissões ou seguros adicionais que elevem a TAEG e o MTIC, tornando o crédito, na prática, mais caro do que outra proposta com TAN ligeiramente mais alta mas sem esses encargos.

Onde posso encontrar informação oficial sobre taxas de juro no crédito aos consumidores?

O Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal disponibiliza informação sobre taxas de juro no crédito aos consumidores, incluindo a explicação de TAN e TAEG e os elementos incluídos no respetivo cálculo.

Fontes consultadas

Os exemplos são fictícios e os cálculos simplificados são educativos. Confirma regras, condições e atualizações diretamente nas fontes; estas entidades não subscrevem nem patrocinam o Saldyion.

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